Adolescentes de 15 anos sentem-se pouco satisfeitas com a vida

Vivemos numa sociedade onde se projetam e se cultivam alguns conceitos que poderão influenciar negativamente a satisfação sentida pelas jovens adolescentes. Um desses apelos foca-se no culto da imagem exterior que poderá conduzir a distúrbios alimentares como a anorexia e bulimia. Também poderá conduzir a crises de ansiedade ou depressão motivadas por problemas relacionais com colegas e amigos ou estar ainda associado com problemas de desempenho escolar.

Apresento-lhe a seguir detalhes desse estudo.

O estudo “Crescer com Desigualdades”

O estudo com o título “Crescer com desigualdades (Growing Up Unequal)”, realizado pela Organização Mundial da Saúde, envolveu cerca de 200 000 jovens, em 42 países na Europa e América do Norte, conduzido entre Setembro de 2014 e Junho de 2014, e que foi publicado no recente dia 15 de Março.

Três grupos etários foram incluídos neste estudo – 11, 13 e 15 anos de idade – que representam idades importantes no desenvolvimento dos jovens durante a fase da adolescência. É nestas faixas etárias que os jovens experienciam alterações rápidas ao nível físico, emocional e psicológico, e que dizem respeito a uma trajetória importante na formação da sua identidade e valores.

Assim, de modo a entender as diferenças de idade no desenvolvimento durante a adolescência, o estudo incluiu diversos parâmetros tais como o contexto social e os comportamentos saudáveis e de risco, que podem facilitar (ou comprometer) uma trajetória de desenvolvimento em termos de saúde e bem-estar dos jovens.

Nesse sentido, este estudo oferece uma perspetiva única sobre a vida dos jovens de toda a Europa e América do Norte.

Acentuado declínio no bem-estar das adolescentes

Os resultados mostram um declínio acentuado no bem-estar das raparigas durante a fase da adolescência. De fato, os dados indicaram que as adolescentes mais velhas têm uma trajetória inversa em relação à sua saúde física e mental. Em média, uma em cada cinco raparigas com 15 anos relataram insatisfação com o seu desenvolvimento físico. Apesar dos dados indicarem uma estabilidade nos níveis de excesso de peso e obesidade, a insatisfação com o seu corpo aumentou significativamente. Manifestaram também um declínio na sua saúde mental e baixos níveis de satisfação com a vida.

Ainda esse mesmo estudo mostra que em todas as faixas etárias analisadas os rapazes manifestaram uma maior satisfação que as raparigas. Mas eles revelaram envolver-se com maior frequência em confrontos e agressões físicas. Observaram-se ainda maiores níveis de comportamentos de risco, tais como o consumo de tabaco e álcool. Uma maior percentagem dos rapazes do que as raparigas mostraram iniciar a sua vida sexual. Contudo, os números mostram que as raparigas estão a aproximar-se, pelo que elas têm vindo a adotar comportamentos que têm sido vistos até agora como mais “masculinos”.

Em suma …

Face às conclusões apresentadas pelo estudo, é minha opinião salientar o papel imprescindível que os pais desempenham no desenvolvimento dos seus filhos adolescentes. Os pais poderão contribuir positivamente quer ao nível físico, emocional ou psicológico, melhorando, assim, o bem-estar dos seus filhos. Concretamente, poderão praticar mais o diálogo e um relacionamento mais próximo que incluía um elogio com mais peso e medida de modo a melhorar a autoestima e bem-estar dos seus filhos.

Elisabete Condesso
Artigo publicado originalmente no sapo.pt